Guia para a revisão de manuscritos

 

Guia para a revisão de manuscritos

Epidemiologia e Serviços de Saúde: revista do Sistema Único de Saúde do Brasil

 

1 – Quais os principais objetivos da revisão por pares?

  1. Identificar erros ou problemas metodológicos que inviabilizem a publicação.
  2. Ajudar a detectar plágio, autoplágio, publicação redundante e outras formas de má conduta.
  3. Contribuir para o aprimoramento do relato dos estudos.
  4. Seguir as Diretrizes éticas para revisores.
  5. Emitir considerações em conformidade com as Instruções aos autores, devendo ser realizada de maneira tempestiva, dentro do prazo máximo de 30 dias.

 

2 – Os guias de relato devem ser usados?

Quando pertinente, é recomendado o uso dos guias que contêm orientações para o relato dos estudos. Exemplos:

. Estudos observacionais em epidemiologia – STROBE;

. Ensaio clínico randomizado – CONSORT;

. Revisões sistemáticas e metanálises – PRISMA.

As versões completas e atualizadas destes e de outros guias encontram-se no seguinte site: http://www.equator-network.org

 

3 – O que deve ser observado durante a revisão?

Os editores esperam que a revisão seja a mais criteriosa possível, com atenção especial para aspectos relacionados à ética, à relevância e à estrutura.

 

4 – Sobre os aspectos éticos, o que deve ser observado?

Plágio, autoplágio, publicação redundante – cópia de texto, parte substancial do artigo previamente publicada (mesmo que em outro idioma), ausência de referências para os textos citados, cópia de figuras, ou outras formas de cópia, devem ser informadas aos editores quando detectadas.

 

Fraude – sua constatação é difícil, contudo espera-se que os editores sejam informados caso haja suspeita de falsificação de dados ou manipulação de resultados.

Ética na pesquisa com seres humanos ou animais – quando pertinente, a aprovação por comitê de ética em pesquisa (CEP) é observada na triagem inicial dos artigos na revista. Deve ser informado o número do protocolo de aprovação pelo CEP e/ou número de registro do ensaio clínico. Todavia, espera-se que os revisores avaliem questões éticas específicas nos estudos, como a obtenção do consentimento livre e esclarecido dos participantes. Para mais informações, sugere-se consultar a Resolução no 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde, disponível em: http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf

 

5 – Como avaliar a relevância do artigo?

Existem algumas questões que podem ser aplicadas:

  1. Os dados são suficientemente novos e interessantes para publicação?
  2. O artigo acrescenta algo ao conhecimento existente sobre o tema?
  3. A pergunta da pesquisa é relevante para os serviços ou para as políticas de saúde?
  4. O artigo tem potencial para contribuir ao aprimoramento das ações da vigilância em saúde?

Sobre a abrangência do estudo: estudos realizados com populações ou amostras pequenas podem ser importantes, desde que tenham resultados relevantes e tragam contribuição nova para a vigilância em saúde, não constituindo mera reprodução de estudos prévios.

 

6 – O que deve ser avaliado na estrutura dos artigos originais?

Será apresentada breve descrição de componentes da estrutura dos artigos originais, o que, todavia, não esgota todos os aspectos que podem ser abordados na revisão.

 

6.1 – Título

É a seção mais lida dos manuscritos. Para os artigos publicados na RESS, recomenda-se que o título:

  1. Seja o mais claro e objetivo possível, refletindo o conteúdo do manuscrito.
  2. Inclua, quando pertinente, o desenho do estudo e o ano ou período dos dados.

 

6.2 – Resumo

Após o título, é a seção mais lida dos manuscritos. Recomenda-se aos revisores que o título e o resumo sejam relidos depois da primeira leitura do manuscrito, de modo a se verificar o alinhamento entre as suas diferentes seções.

Quanto ao resumo e ao alinhamento, recomenda-se verificar se:

  1. O objetivo é o mesmo no resumo e no final da introdução.
  2. A introdução do artigo foca o objeto do estudo.
  3. O desenho do estudo é adequado para atender ao objetivo.
  4. A seção de métodos do artigo detalha todas as variáveis, indicadores e procedimentos estatísticos apresentados nos resultados.
  5. Os resultados – no resumo e no artigo – respondem ao objetivo do estudo.
  6. Os achados destacados na seção de resultados do resumo são compatíveis com aqueles apresentados no início da seção de discussão do artigo.
  7. A conclusão – no resumo e na discussão – está relacionada com os objetivos e vincula-se ao escopo da revista: o uso da epidemiologia para o aprimoramento das ações de vigilância e dos serviços de saúde.
  8. As versões em inglês (Abstract) e espanhol (Resumen) refletem o conteúdo do resumo em português.

 

6.3 – Palavras-chave

  1. Todas as palavras-chave, assim como suas versões em inglês (Key words) e em espanhol (Palabras llave), devem aparecer exatamente conforme constam nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS, disponível em: http://decs.bvs.br).
  2. Devem refletir o objeto do estudo e incluir descritor referente ao desenho e à população do estudo, quando pertinente.

 

6.4 – Introdução

A introdução deve abrigar informações que justifiquem a pesquisa e esclareçam o objetivo que orientou a redação do texto.

  1. Espera-se que a introdução seja concisa e objetiva (até duas páginas para artigos originais).
  2. Sempre que possível, devem ser apresentados dados epidemiológicos atuais sobre a magnitude do agravo e informado o ano ou período de todos os dados, evitando expressões pouco específicas, como “atualmente”, “nas últimas décadas” e “nos últimos anos”.
  3. As referências citadas devem ser, preferencialmente, as mais atuais, especialmente quando se tratar de inquéritos e pesquisas periódicas.
  4. Descrições detalhadas sobre agentes etiológicos, quadros clínicos, sistemas de informação, entre outras, devem ser evitadas.
  5. Após apresentar o resumo das informações relevantes para contextualizar o estudo, deve informar o que o trabalho irá acrescentar ao conhecimento existente ou a justificativa para a sua realização.
  6. O objetivo do estudo deve estar explícito no parágrafo final da introdução.

 

Obs.: O objetivo é o item central para o alinhamento do manuscrito, e refere-se à pergunta a ser respondida pelo estudo. O objetivo na introdução deve ser compatível com aquele apresentado no resumo. Os verbos devem ser adequados ao desenho do estudo. Por exemplo, “descrever” para estudos descritivos, “analisar” para estudos analíticos, “avaliar” para estudos de avaliação. As palavras empregadas devem ser adequadas ao desenho do estudo: relação, associação, influência, fator de risco, tendência etc. O objetivo não deve se misturar com os métodos, ou seja, não deve incluir detalhamento do local, fontes de dados, critérios de inclusão ou exclusão etc.

 

6.5 – Métodos

A seção de métodos deve conter a descrição de como o estudo foi realizado. A descrição deve ser detalhada, de modo a permitir a reprodução do estudo.

Entre os tópicos abordados, destacam-se:

  1. Delineamento – desenho ou tipo de estudo.
  2. Cenário – contexto da pesquisa, como datas, local e suas características.
  3. Amostra – casuística, população de referência, forma de seleção, critérios de inclusão e exclusão.
  4. Coleta de dados – procedimentos, instrumentos de mensuração, definições operacionais.
  5. Variáveis e instrumentos utilizados – devem ser adequados e suficientemente descritos. Quando pertinente, convém informar se foram realizados estudos de validação.
  6. Intervenção – o detalhamento que possibilite a reprodutibilidade é necessário nos estudos de intervenção.
  7. Métodos estatísticos – quando pertinente: cálculo do tamanho da amostra,[1] forma de análise dos dados,[2] softwares empregados.
  8. Aspectos éticos.

 

6.6 – Resultados

O propósito da seção de resultados é revelar o que foi encontrado na pesquisa. Como sugestão para a ordem de apresentação, temos a sequência:

  1. Características dos participantes do estudo – descrição da amostra.
  2. Achado principal – resposta à questão central do estudo.
  3. Outros achados – relacionados aos objetivos secundários e informações adicionais relevantes.

Recomenda-se que os resultados apresentados no texto sejam contrastados com aqueles constantes das tabelas e figuras, de modo a se verificar sua consistência.

 

6.7 – Discussão

Para os artigos a serem publicados na RESS, sugere-se a seguinte estrutura:

  1. Apresentação de um breve resumo dos principais achados, com ênfase na forma como estes contribuem para ampliar o conhecimento sobre o assunto.
  2. Discussão das possíveis explicações sobre os resultados.
  3. Comparação dos resultados com aqueles de outros trabalhos publicados.
  4. Discussão das limitações do estudo e dos métodos usados para minimizar as limitações.
  5. Conclusão, na qual se exponham as implicações dos resultados do estudo para os serviços de saúde e/ou para as políticas de saúde.

As afirmações apresentadas nesta seção devem encontrar suporte nos resultados.

 

6.8 – Citações e referências

  1. Devem refletir o conteúdo citado e incluir os estudos mais atuais sobre o tema.
  2. Quando pertinente, devem incluir revisões sistemáticas e metanálises.
  3. Artigos originais devem ter, no máximo, 30 referências.

 

6.9 – Tabelas e figuras

  1. Devem ser autoexplicativas: título detalhado, incluindo local e período do estudo; explicitação do número de unidades analisadas; siglas por extenso.
  2. O número de casas após a vírgula deve ser padronizado para cada medida.
  3. Figuras em escala de cinza devem permitir a visualização dos dados.
  4. Quando pertinente, os totais devem perfazer exatamente 100,0%.

 

Bibliografia

Pereira MG. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

Garcia LP. Comunicação e redação científica para a epidemiologia e os serviços de Saúde. Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2012 jun [citado 2014 fev 18];21(2):193-4. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742012000200001&lng=pt&tlng=pt.10.5123/S1679-49742012000200001

Pereira MG. Estrutura do artigo científico. Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2012 jun [citado 2014 fev 18];21(2):351-2. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742012000200018&lng=pt

Pereira MG. Preparo para a redação do artigo científico. Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2012 jul-set [citado 2014 fev 18];21(3):515-6. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742012000300017&lng=pt

Pereira MG. A introdução de um artigo científico. Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2012 dez [citado 2014 fev 18];21(4):675-6. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742012000400017&lng=pt

Pereira MG. A seção de método de um artigo científico. Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2013 mar [citado 2014 fev 18];22(1):183-4. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000100020&lng=pt

Pereira MG. A seção de resultados de um artigo científico. Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2013 jun [citado 2014 fev 18];22(2):353-4. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000200017&lng=pt

Pereira MG. A seção de discussão de um artigo científico. Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2013 set [citado 2014 fev 18];22(3):537-8. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000300020&lng=pt

Pereira MG. O resumo de um artigo científico. Epidemiol Serv Saude [Internet]. 2013 dez [citado 2014 fev 18];22(4):707-8. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742013000400017&lng=pt

Garcia LP, Duarte E. Epidemiologia em serviço: conhecimento útil e inovador para o Sistema Único de Saúde. Epidemiol. Serv. Saúde  [periódico na Internet]. 2014  Dez [citado  2015  Jan  08] ;  23( 4 ): 597-598. Disponível em: http://scielo.iec.pa.gov.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742014000400001&lng=pt.

 

Recursos adicionais

BMJ’s Guidance for Peer Reviewers

http://www.bmj.com/about-bmj/resources-reviewers/guidance-peer-reviewers

BMJ’s How to Peer Review a manuscript

http://www.bmj.com/sites/default/files/attachments/resources/2011/07/moher.pdf

Elsevier’s Guide for Peer Reviewers

http://www.elsevier.com/reviewers/reviewer-guidelines#youve-been-asked-to-review

An Instructional Guide for Peer Reviewers of Biomedical Manuscripts

http://www3.us.elsevierhealth.com/extractor/graphics/em-acep/index.html

 

 

[1] Verificar se está adequado para estudos de prevalência ou associação, e se houve acréscimo para compensar possíveis perdas ou efeito de desenho (deff).

[2] Avaliar se testes ou modelos estatísticos empregados foram adequados ao tipo de dado e ao tipo de amostra do estudo; no caso de análise multivariável, deve estar explicitada a forma de inclusão das variáveis no modelo ou modelo teórico.

 

 

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